
Ah, o casamento! A celebração dos finais de novela com a beleza dos vestidos da noiva e das madrinhas; a beleza do ritual religioso; a emoção das sogras; a simetria dos arranjos de flores; as lembranças trazidas pelo repertório musical escolhido; a fome dos convidados na missa e a fartura do banquete na festa de recepção... o prato que voou na cabeça do Plínio Humberto.
- Seu infeliz! Eu te odeio!
O tumulto inicial.
- Mas, meu amor, me desculpe!
Os olhares desconfiados.
- Desculpe o caramba!
A incerteza dos músicos em continuar a música.
- Você sabe que eu fiz isso por amor!
O interesse geral no desenrolar da história.
- Por amor a quem? Desde quando ter um filho com outra é amor?
As mãos cobrindo as várias bocas abertas com a revelação.
- Mas você não pode ter filhos!
O fim da música.
- Como ousa fazer isso comigo no dia do nosso casamento?
A indignação da família da pobre coitada.
- Mas eu não fiz isso hoje!
A indignação da família do rapaz.
- Não precisa me dizer o dia que fez...
As lágrimas nos olhos dos mais sensíveis.
- Achei que fosse gostar se eu te desse um filho de presente de casamento!
A bronca que a criança levou por ainda estar comendo em meio à confusão.
- Precisava ter transado com ela pra isso?
As mãos nos ouvidos das crianças.
- Ela disse que as chances seriam maiores se fosse dessa forma.
Os convidados começando a sair.
- Eu vou te matar desgraçado!
Os convidados voltando.
- Já disse que foi por amor!
O pessoal do buffet recolhendo as facas de perto da noiva.
- Por amor a quem? Só se for ao diabo!
As mãos nos ouvidos do padre.
- Por amor a você! Já disse!
O bebê começando a chorar.
- O que você quer dizer com isso? Que eu sou o diabo?
O abrir da garrafa de champagne. O champagne nas mãos da futura madrasta. O grito geral dos convidados. O estampido seco do estouro da garrafa. A tampa da garrafa no olho do recém-ex-casado.
O desmaio da sogra, dona Eleonora.






